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Marco Histórico: Exército Brasileiro Prestes a Promover Primeiras Mulheres ao Posto de General

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Carla Clausi e Carla Lobo Loureiro, oficiais aptas a se tornar general na próxima promoção — Foto: Reprodução e Comando Militar do Sul
Carla Clausi e Carla Lobo Loureiro, oficiais aptas a se tornar general na próxima promoção — Foto: Reprodução e Comando Militar do Sul

Após mais de dois séculos de história, o Exército Brasileiro está prestes a alcançar um marco significativo na inclusão feminina em suas fileiras. No próximo ciclo de promoções do Alto Comando, previsto para novembro deste ano, duas coronéis médicas, Carla Maria Clausi e Carla Lobo Loureiro, estão cotadas para serem promovidas ao posto de general de brigada, tornando-se as primeiras mulheres a atingir tal patente na instituição. Essa possibilidade marca um avanço na trajetória das mulheres nas Forças Armadas brasileiras e reforça o compromisso da instituição com a equidade de gênero.


Trajetórias das Coronéis

Carla Maria Clausi ingressou no Exército em 1996 como tenente temporária. Formada em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, com especializações em cardiologia clínica e terapia intensiva, destacou-se ao longo de sua carreira por sua competência e liderança. Em 2015, tornou-se a primeira mulher a comandar uma unidade militar do Exército, ao assumir a direção do Hospital de Guarnição de João Pessoa. Durante sua missão no Haiti, em 2008, atuou no resgate de crianças após o desabamento de um prédio, ação que lhe rendeu homenagem da Organização das Nações Unidas (ONU). No início da pandemia de Covid-19, em 2020, contribuiu para a estruturação do Hospital de Campanha em Brasília, destinado aos brasileiros repatriados da China.

Carla Lobo Loureiro, por sua vez, formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especialização em otorrinolaringologia. Sua carreira militar é marcada por pioneirismos, tendo sido a primeira mulher a comandar o Hospital de Guarnição de Florianópolis (2019-2022) e, posteriormente, o Hospital Militar de Área de Porto Alegre, até dezembro de 2023. Atualmente, exerce a função de inspetora de Saúde da 12ª Região Militar, em Manaus.


Processo de Promoção e Inclusão Feminina

A promoção ao posto de general de brigada é um processo criterioso que considera antiguidade, mérito e a disponibilidade de vagas, que surgem com a aposentadoria de oficiais superiores. A decisão final cabe ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, e a um colegiado de 16 generais, sendo posteriormente submetida ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para homologação.

A inclusão de mulheres nas Forças Armadas brasileiras teve início na década de 1980. No Exército, a presença feminina vem crescendo, e a expectativa é que, com as promoções previstas, essa tendência se consolide ainda mais. Dados do Ministério da Defesa indicam que as mulheres representam cerca de 6,4% do efetivo do Exército Brasileiro, um número que tem aumentado progressivamente com a ampliação das oportunidades de acesso e ascensão na hierarquia militar.


Em 2017, o Exército Brasileiro permitiu, pela primeira vez, o ingresso de mulheres na linha bélica, ampliando as oportunidades de carreira para o público feminino.

 Além disso, a participação feminina em cursos e estágios operacionais, como os de Montanha, Selva, Pantanal e Paraquedista, tem sido incentivada, demonstrando a valorização da competência e do mérito, independentemente do gênero.


Impacto e Perspectivas Futuras

A possível ascensão das coronéis Clausi e Loureiro ao generalato representa um avanço significativo na busca por igualdade de gênero dentro das Forças Armadas. Além de abrir caminho para futuras gerações de militares femininas, essa conquista reforça a valorização do mérito e da competência, independentemente do gênero.

Espera-se que essa mudança inspire outras mulheres a ingressarem e progredirem na carreira militar, contribuindo para uma força terrestre mais diversa e representativa da sociedade brasileira. Especialistas acreditam que, com essas promoções históricas, novas oportunidades para as mulheres no Exército sejam debatidas, como a ampliação de vagas para cursos de formação e a revisão de critérios que possam limitar o crescimento profissional das militares.


Referências

 
 
 

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